Bruno Eugênio
Passada a correria dos dias anteriores com eventos, noites sem dormir direito e afins, vamos voltar a nossa programação normal… Ops, não, não vamos! Após a Campus Party um tema voltou para a minha mente e fiquei resgatando aqui uns posts e pensamentos antigos (sim, eu anoto tudo que penso que acho que é útil no Evernote!). Depois das ideias organizadas, lanço a pergunta: Qual foi a última vez que você compartilhou conhecimento com alguém? Sim, de ensinar alguém fazer algo novo, contribuir em um projeto open source, uma palestra sobre um tema que você domina, expôs os dados de negócios com insucesso para toda a empresa ou abriu sua base de lições aprendidas para uma comunidade de empreendedores locais? 
Parece simples fazer isso! E todo mundo faz isso, certo?Afinal, qualquer coisa que você digitar no Google aparecem dezenas de respostas, passo a passos, códigos prontos no PasteBin, bibliotecas no GitHub, slides no Slideshare, músicas cifradas e tudo mais. Mas, você já parou para pensar que foi alguém com boa vontade que preparou o material, testou, ajudou alguém, recebeu críticas e as incorporou no artefato para deixar ele lá, bonitinho? Não? Pois é, como você já pensou ai: Nem todos fazem. E deveriam.

Está na hora de parar de acumular conhecimentos e compartilhar um pouco do seu saber. Sério. 

Empresas são abertas todos os dias, com modelos de negócios inovadores, cheias de hipóteses que poderiam ser eliminadas com uma simples consulta ou uma conversa do tipo “Olha, tentamos atingir o cliente com esse perfil certa vez e o resultado foi esse, foi ruim e você pode perder dinheiro… Mude a direção” ou “Amigo, para este tipo de serviço, o WordPress é melhor que o Blogger! Já escrevi muito no Blogger quando tinha um blog Y e, por conta da estrutura de links, os pageviews eram sempre abaixo da média!!” Você acha muito material assim na grande rede? Infelizmente não. E é pior quando você inventa de perguntar a um amigo de trabalho ou curso, pois o brasileiro pensa que as ideias e pensamentos podem ser roubados. Também somos orientados a não disseminar conhecimento pois “quanto mais você souber de um assunto, mais indispensável você será”.
Em Recife, quais comunidades de Startups compartilham falhas? 
Quais empresas comutam base de insucesso? 
Posso estar errado, mas a resposta é ZERO (me corrijam se eu estiver errado, terei o enorme prazer em atualizar isso). 
Mas sim, e o que os hackerspaces têm de tão especial? 
Eles são, acima de tudo, espaços de compartilhamento onde a troca de informações e conhecimentos é INCENTIVADA! Esse tipo de atitude leva todos a lugares mais altos, pois possibilita sempre que os indivíduos ali inseridos sejam mais, saibam mais, sobre diversos temas: Arduino? Dois ensinam, ai dois outros são bons em lógica de programação, passam para os mais fracos, que são bons em música, que ensinam teoria músical para o grupo, que se juntam e fazem um “Órgão – Geleia” com Arduino! 
Um típico hackerspace: Impressoras 3D no modelo DIY
As empresas de Recife, no geral, não conseguem enxergar esse tipo de comportamento. E não é para ser um Google da vida, longe disso! Pessoas devem ser incentivadas a compartilhar conteúdo, para o crescimento da comunidade… A empresa É uma comunidade antes de ser um local apenas onde indivíduos passam 40 – 44 horas semanais em seu mundo, com fones de ouvido e presos as suas tarefas! Não, está errado! Se uma comunidade cresce com espírito de fazer com que todos sejam capazes de contribuir, com um pouco do que sabe, para alcançar uma meta de maneira inovadora, isso não é bom para uma empresa? A inovação não é o que todos, seja empresa ou Startup, buscam? 
É engraçado ver que em Recife o pessoal queira fazer comparações com Tech Valleys como Sillicon, NY, Berlin e Chile… Mas nesses lugares você consegue ligar para um empreendedor que há um ano quebrou em um modelo de negócios para bater um papo com ele sobre qual foram suas falhas. E ele vai ter o maior prazer de contar sua estória… Isso se ele já não publicou um livro ou montou um blog com tais contos. 
O que quero dizer é: Precisamos de mais do espírito dos hackerspaces inseridos dentro das nossas empresas e comunidades. A partir do momento que passarmos a dar mais valor ao conhecimento coletivo, multidisciplinar e holístico no lugar do “super-herói que resolve tudo sozinho e que não ensina nada para ninguém”, vamos passar a ter condições de inovar de uma maneira mais natural, e não forçada (no achismo). Apenas aprendendo, fazendo e compartilhando vamos conseguir isso. 
E isso os hackerspaces do mundo já estão fazendo a pleno vapor. 
E as Startups gringas também. 

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