Bruno Eugênio

Tenho uma relação de amor e ódio com a festa mais popular do Brasil: quando era adolescente, simplesmente abominava a bagunça coletiva que é o carnaval; depois de anos, passei a relevar a bagunça e olhar apenas a festa, que é muito bonita e resgata diversos traços da nossa cultura popular (manifestações de dança, música e espiritualidade). Junte a isso o fato de morar em Pernambuco, onde é complicado fugir do carnaval já que o mesmo é comemorado da capital ao interior…

maracatu

Porém esse ano vou me ausentar da esbórnia de Momo devido a motivos de saúde: Peguei uma das quatro doenças transmitidas pelo Aedes Aegypti: chikungunya! E mesmo após 15 dias ainda sinto dores nas articulações… Resolvi que seria uma boa oportunidade para economizar uma grana e descansar vendo Netflix.

Tem gente que recrimina o carnaval pelo fato de ser uma parada coletiva onde deveria se produzir, gerar riqueza.

Ai me perguntei: Será que mesmo com todo o apelo, o carnaval é um bom negócio?

Em Pernambuco especificamente falando, o carnaval de 2015 obteve bons números, com um aumento de 10% na quantidade de turistas que aportaram em Recife para o carnaval, gerando uma taxa de ocupação de 90% a 95% nos principais destinos do estado. O comércio também lucra com vendas de artigos para o carnaval como fantasias e enfeites de rua, além do setor gastronômico aproveitar o maior fluxo de pessoas na cidade para aumentar suas vendas. O comércio informal tira seu lucro sem nota fiscal vendendo comida e bebida no meio da rua, gerando uma renda extra para dezenas de famílias. Diversos músicos tocam no carnaval (as vezes demoram para receber, mas isso não é o foco do texto) subindo e descendo as ladeiras de Olinda e também garantindo uma renda adicional.

Engraçado notar que os números em termos de Brasil se equiparam: Enquanto a indústria nacional perde em torno de 65 – 70 bilhões de reais com feriados (dados de 2015, levando em consideração todos os feriados – não apenas durante o período de carnaval) o período de carnaval gira um valor BEM menor: os números estimados em 2015 ficaram na casa de 6,6 bilhões, nem 10% do valor que temos que cobrir com os feriados. Importante lembrar que esses 6,6 bi são divididos entre serviços e comércio (da passagem de avião a carne do churrasco na casa de praia). No Brasil, temos 9 feriados nacionais, fora os pontos facultativos que viraram feriados não oficiais como a segunda e terça de carnaval e corpus Christi e um sem número de feriados municipais… Se esse número fosse um pouco menor, o carnaval seria uma festa legal E rentável.

Existe um projeto de lei que puxa os feriados para segundas ou sextas, já que no Brasil temos a péssima mania de “matar” dias entre feriados (feriado na quinta, a sexta é “imprensada” – por exemplo). Isso acabaria com feriadões de 4 dias, aliviando um pouco o prejuízo que os feriados trazem para os setores como comércio e indústria. Nesses dias, diversas partes do país param e não geram nem de perto os 6,6 bilhões planejados que o carnaval injeta no país. Ou seja, goste ou não de carnaval, ele tem potencial financeiro para ser explorado, porém algumas peças precisam ser ajustadas para fazer a festa de Momo ser além de bonita, um ótimo negócio.

Ainda se gasta muito para fazer o carnaval acontecer: Em Recife, a prefeitura declarou que a festa custou em torno de 35 milhões de reais, sendo que 25% destes foram custeados pela iniciativa privada (patrocínios em geral). Em Recife temos o problema que tem origem cultural: O carnaval é conhecido como o mais barato do Brasil, já que não existem (muitos) setores privados nas festas (como ocorre em Salvador, por exemplo) tornando mais complexa a captação de recursos privados para aliviar a balança das prefeituras.

Então, chego a conclusão que o Carnaval tem um grande potencial para ser um bom negócio mas quando colocado em perspectiva, vira o vilão dos feriados nacionais.

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