Bruno Eugênio
Você já se perguntou o de onde vem aquela vontade insana de superar um desafio ou de continuar forte diante de uma situação extremamente adversa? Pode ser resumido em muita coisa: Fé (favor, não confundir com religião), força de vontade, foco… Mas a psicologia, mais necessariamente a Psiconeuroimunologia, campo da ciência que estuda o ser humano como um só, sem distinção de corpo e mente, chama esse comportamento de “Coping”, que vem do Inglês To Cope (lidar) e é, segundo estes profissionais, o esforço cognitivo e comportamental de lidar com uma situação adversa ou extremamente estressante, quando o corpo não é capaz de prover uma resposta automática para a situação.
Respostas automáticas? Sim, segundo o Daniel Kahneman em seu best seller “Rápido e Devagar: duas formas de pensar” vivemos regidos por dois tipos de pensamento que provem respostas automáticas com base em nossas experiências, credos e visão do mundo. Esse sistema, heurístico e ativo age sem que nós sequer perceba que, ao tomar uma rota melhor no trânsito, levamos em consideração a hora, o dia da semana e se já houve alguma experiência passada… 
Voltando ao coping, é comum a gente achar que, por exemplo, em um projeto qualquer de desenvolvimento de SW as pessoas, todas elas, rendam o “aceitável” mesmo sob pressão extrema. Porém, devemos lembrar que todo mundo tem seu momento e seus métodos de reação a uma determinada situação de adversidade (que pode, inclusive, não ser adversa para aquele individuo: Afinal de contas, para um membro de uma equipe realmente seja parte de um time ele precisa estar em sintonia com o objetivo e os colegas. Se ele não acha a meta importante ou o projeto bom do ponto de vista pessoal, é muito complicado reagir, seja usando os conceitos de coping ou não: ele simplesmente não se importa) e que essa reação é DIFERENTE de individuo para individuo. Ou seja, não adianta querer achar que fulano é “mais disposto a resolução de problemas do que sicrano”. Não é cartesiano, tem dezenas de variáveis que tornam o efeito diferente de ser humano para ser humano. 
Porém, é possível identificar padrões de coping: Podem ser focados na resolução de problemas ou para evitar os mesmos. Um perfil mais passivo de coping, que pode, por exemplo, ser um perfil complicado de lidar em um time, pois o mesmo trata o problema simplesmente evitando (desculpazinhas? postergação?). Já um perfil mais ativo usa toda a força dele para transpor uma dificuldade que afeta diretamente o objetivo ou o modo como ele enxerga o sucesso/bem estar/satisfação de um determinado projeto/situação/bem comum. 
Além dos números, devemos levar em consideração como gestores que lidamos com seres humanos. Entender esse tipo de comportamento, não necessariamente como coping, mas como um padrão do ser humano, torna as pressões do dia a dia mais claras de serem entendias. Mesmo que para uma solução que pode definir o sucesso de um projeto uma medida cartesiana seja escolhida eu acredito que convém olhar sempre o lado pessoal. 
Afinal de contas, empatia está em falta hoje em dia. 
Um abraço!
Para saber mais sobre:
Artigo: http://www.psicologia.pt/artigos/ver_opiniao.php?codigo=AOP0216
Wiki: http://pt.wikipedia.org/wiki/Coping
Revista: Superinteressante – Novembro 2013 – Matéria: A Ciência da Fé.
Livro: Rápido e Devagar: Duas formas de pensar – Daniel Kahneman.  

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