Bruno Eugênio

Esse final de semana tivemos a final da NFL (National Football League), o Super Bowl é um evento GIGANTE e a maior audiência televisiva dos Estados Unidos. O futebol americano vem crescendo em popularidade no Brasil e por aqui tivemos mais Tweets sobre o jogo entre New England Patriots vs Seattle Seahawks do que na final da Copa do Brasil entre Cruzeiro x Atlético Mineiro.

O jogo foi decidido em uma jogada que, em 99% dos casos, seria fatal: Na linha de 1 jarda para a EndZone, o Quarterback do Seattle, Russell Wilson, fez o call (chamada da jogada) que ninguém esperava – lançando a bola pelo ar ao invés de tentar a jogada básica que era o jogo terrestre com o Running Back Marshall Lynch, apenas o melhor corredor da liga! Resultado? o jogador ‘undrafted’ dos Patriots – que não foi escolhido entre os jogadores das ligas universitárias – Malcolm Butler interceptou o passe a menos de um minuto pro final do jogo, garantindo o placar de 28 x 24 para os Patriots. E virando um dos heróis do título junto com o excepcional Quarterback Tom Brady.

Malcom Butler interceptando o passe para Ricardo Lockette no Super Bowl 49 (Rob Carr/Getty Images)

Malcom Butler interceptando o passe para Ricardo Lockette no Super Bowl 49 (Rob Carr/Getty Images)

Mas Bruno, o que você quer passar com esse relato desse jogo “da moda” (risos) aqui no Brasil?

Simples: Temos o PÉSSIMO vício de só olhar para formação e esquecer o talento. Ou preferir a formação em detrimento do talento.

Pessoas que começam a costurar porque viram a mãe fazendo costura na máquina velha de fricção manual podem ser melhores do que designers de moda com 4 anos de faculdade e zero de experiência prática. Engenheiros de software autodidatas são comuns e, em certos casos, não possuem formação acadêmica porque aprenderam a programar por uma necessidade ou, em casos mais recentes, por curiosidade. Não é de se espantar que um adolescente de 16 anos saiba mais sobre Objective C (a linguagem que o sistema da Apple usa para construir Apps) do que um engenheiro de software sênior de uma fábrica de software (odeio esse termo) qualquer em Recife ou na Índia.

Quantos talentos as empresas perdem ao deixar de dar valor ao conhecimento em vez de diplomas e certificações decorebas?

Ao escolher o Malcolm Butler, Bill Belichick, head coach dos Patriots, deve ter consultado os seus auxiliares e identificado um talento que outros times não viram. Foram lá, treinaram o profissional e ele correspondeu dentro de campo fazendo a jogada que garantiu a vitória do seu time. O time não exigiu (ou não deixou) que suas credenciais anteriores falassem mais alto do que o senso de profissionalismo. Também não se importaram sobre de qual universidade ele veio e sim apenas em saber se ele poderia resolver aquele problema.

Contratar currículos não é garantia de resultados. Contratar pessoas que dão soluções sim é garantia de resultados. Em pleno ano de 2015 as empresas (em especial as de tecnologia da informação – em especial ditas Fábricas de Software) ainda não abriram os olhos para ver que a cada um talento que ela desperdiça por não valorizar ou não confiar por falta de diplomação existe um potencial reforço em todos os seus concorrentes?

E olhe que nem estou falando dos que viram empreendedores (como um Mark Zuckerberg da vida) e sim desses trabalharem em grandes empresas resolvendo problemas dia após dia.

Um dia, as pessoas que contratam vão entender que podem procurar talentos em outros cantos que não sejam universidades: Cursos livres, Hackatons e afins assim como Bill e os Patriots fizeram ao ir buscar um jogador na lista menos provável de todas: na de jogadores não escolhidos por nenhum time profissional.

Até mais!

comentários

comments

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *