Bruno Eugênio

Não sou fã de assistir TV. Gostava quando era mais novo, porém eram coisas como Cavaleiros do Zodíaco… TV sempre foi um acessório do vídeo game (que só tive depois de velho…). Hoje só assisto televisão mais do que antes e basicamente só me interesso por esportes: Fórmula 1, Futebol em geral e as grandes ligas americanas como NHL, MLB, NFL e NBA nessa ordem. E muitas vezes assisto no automático… E justamente assistindo eventos esportivos notei que é cada vez mais comum nas grandes ligas a atenção a figura do técnico – que em muitas vezes assume o papel de General Manager, sendo responsável pelo comando operacional das equipes dentro e fora de campo. No Brasil, ainda não temos exemplos parecidos com os europeus ou americanos porém a mentalidade parece estar mudando… A conferir.

Em uma época onde esporte e negócio se misturam, como manter um time em alta, gerar receita e ter sucesso? Escolhi três gestores (dois do futebol e um do basquete) dos quais podemos tirar bons exemplos.

1 – Jürgen Klopp: Carisma ajuda a criar bons ambientes. 

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Nascido em Stuttgart, na Alemanha, Jürgen Klopp foi jogador profissional de futebol profissional durante 14 anos depois se tornou treinador, começando no mediano Mainz 05, passando pelo falido (na época) Borussia Dortmund – onde fez fama e hoje está no Inglês Liverpool. Sem dúvida é um cara que se você gosta de futebol cria automaticamente uma empatia pelo seu “jeitão” de maluco ao comemorar os gols de suas equipes ou nas entrevistas. É sério quando tem que ser, é autêntico e não tem a mínima vergonha de mostrar ou dizer o que sente. Conseguiu ao longo dos seus anos no Dortmund reformular um time que veio de uma crise financeira, lançando jovens como Mario Götze e reforços baratos que se provaram ótimos investimentos como Marco Reus, Shinji Kagawa e Robert Lewandowski. Não crie barreiras, sorria 🙂

 

2 – Pep Guardiola: Estude hoje, amanhã e sempre. 

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Certamente você já ouviu falar de Pep Guardiola, treinador espanhol responsável por um dos times mais desafiadores de todos os tempos: Barcelona de 2008 a 2012. Ganhou TUDO que um treinador poderia ganhar na Europa e tem o status de “gênio” do futebol moderno devido ao estilo de jogo que impõe aos seus comandados: posse de bola, toques rápidos e curtos,  jogadores compactados e pressão na linha defensiva adversária durante os 90 minutos de jogo. O prestígio de Guardiola é tanto que ele chegou (popularmente) a ser considerado uma opção para o comando da seleção brasileira de futebol – instituição sagrada dos brasileiros e terra non grata a estrangeiros. O que leva Pep ao sucesso é a reinvenção: na época do Barcelona, Pep chegou a ser “decodificado” por times como Chelsea em 2012 na Champions League, perdendo jogos e títulos usando o Tik Taka, o famoso toque de bola exaustivo que levou a seleção espanhola a ganhar uma copa do mundo em 2010. Ao deixar o Barcelona, tirou um ano sabático e voltou ao comando de um time de futebol na Alemanha, no Bayern Munich, comprovando a fama de estudioso: Chegou falando Alemão em sua primeira entrevista, imprimiu um estilo de jogo ainda mais emblemático no Bayern em sua primeira temporada – ganhando o título da Bundesliga com sobras. Entender e estudar sobre o que faz a sua profissão e o que a envolve é DEVER de um gestor. Dou risadas quando escuto que pessoas que não entendem de informática, por exemplo, podem ser bons gestores de projetos de software…  Depois disso tudo, não é nada anormal pensar que as duas últimas seleções campeãs do mundo (Espanha em 2010 e Alemanha em 2014) usavam como base jogadores de times comandados pelo Guardiola (Barcelona em 2010 e Bayern Munich em 2014).

 

3 – Greg Popovich: Seus resultados são a melhor certificação que você pode ter.

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Ela fala a lingua do jogo, ela entende o jogo. Então, por todos esses motivos você realmente sabe que ela tem o mesmo tipo do Avery Johnson, Steve Ker e [Mike] Budenholzer (treinadores da NBA)

Greg Popovich é o treinador do San Antonio Spurs, time de Basquete da poderosa NBA, liga profissional de basquete dos EUA. No comando desde 1996, nunca teve o carisma do Klopp ou a sede pelos estudos do Guardiola mas sem sombra de dúvidas tem a paixão pelo que faz correndo nas veias. Muitas vezes megalomaníaco com seus comandados, é o tipo que prova que mesmo você não sendo “o carismático” há espaço para aqueles que se mostram competitivos e competentes: Os seus comandados gostam do estilo “linha dura”, os donos da franquia do Texas confiam, a torcida sabe que vai ter times brigadores em quadra… e os títulos são consequência: Desde a chegada de Greg aos Spurs, são 5 títulos da NBA, 7 títulos de divisão e 5 vices de divisão. Ou seja, desde que Greg assumiu o comando, são raros os momentos que o time não está lutando por títulos na NBA! A fórmula inclui: Regalias zero para estrelas, revelar novos jogadores, fazer boas trocas de jogadores “free agent” e boas escolhas entre os novatos vindos de universidades e elegíveis no exterior. Gestores modernos precisam entender que ELES são responsáveis pelo sucesso de toda a operação… mas muitos esquecem que dão aval para contratações ruins, perdem tempo com peças erradas e se eximem de culpa quando seu time falha. E o mais incrível é: por que manter gestores com resultados ruins? Pelas certificações? Pelos títulos? Isso não prova absolutamente NADA. Como bônus, ainda chuta traseiros: contratou uma (a primeira, aliás) MULHER como sua assistente, não pelo fato de ser mulher e sim por achar que ela não devia em nada aos outros técnicos da NBA (Aprenda, Fórmula 1).

Na época da copa do mundo de futebol em 2014, comentei com alguns amigos que enxergava no Felipão o espelho da gerência média brasileira: Arrogantedespreparada emocionalmente e credenciada pelos feitos do passado e não pela competitividade do presente. Em um mundo real, Luiz Felipe Scolari e Carlos Alberto Parreira jamais seriam credenciados a posição de manager da seleção brasileira. Como um treinador que teve seu time rebaixado para uma segunda divisão do campeonato nacional (Palmeiras em 2012) poderia comandar a seleção principal do país? É a mesma coisa de pegar um dos seus gestores que apresentou um dos piores resultados do ano em termos de sucesso de projeto, margem e lucro e colocá-lo em um dos projetos missão crítica da empresa! É claro que não preciso comentar que o resultado da escolha do duo Felipão – Parreira foi desastroso, certo? Se você pensa que a culpa foi do Neymar, reflita: quem foi que selecionou os jogadores mesmo?

Sorria, estude e apresente resultados! 

Abraço!

 

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