Bruno Eugênio

Sério, precisamos fazer uma dissecação sobre essa palavra e sua aplicação hoje dentro do universo da tecnologia da informação. Será indolor e pelo menos você, meu amigo leitor, não vai passar gafe quando estiverem falando sobre o assunto, tão em voga hoje em dia.

Disclaimer: CLARO que falarei sobre inovação voltado para tecnologia da informação E softwarehouses, makers e DIYs, são as áreas que eu transito e tenho opnião. Qualquer campo pode (e deve) pensar sobre inovação, porém, falarei de software e hardware, ok?

Antes de tudo, vamos buscar as definições no blueprint – o Michaelis

inovação
i.no.va.ção
sf (lat innovatione) 1 Ato ou efeito de inovar. 2 Coisa introduzida de novo. 3 Renovação.

inovar
i.no.var
(lat innovare) vtd 1 Fazer inovações, introduzir novidades em (leis, costumes, artes etc.). 2 Produzir algo novo, encontrar novo processo, renovar: Inovar a execução de um trabalho. 3 Introduzir (palavras) pela primeira vez em uma língua.

Segundo as definições do amigo dicionário, podemos simplificar o conceito de inovação no processo de introdução (novidades) e/ou renovação (tornar novidade novamente) de uma determinado item em uma determinada circunstância.

Exemplos?

  • Corridas de carros de alta performance: Produzir um mecanismo diferenciado de direcionamento de ar em um carro de fórmula 1 (novidade), reformular o sistema para ficar dentro das especificações técnicas restritivas sem perda de velocidade (renovação);
  • Empreendedorismo: Criar uma rede de motoristas dispostos a dirigir no seu tempo livre com mais conforto do que táxis comuns (novidade), dividir o sistema informatizado para chamadas de veículos da rede com táxis comuns nas cidades onde não é permitida livre concorrência (renovação).

Poderia citar diversos aqui. Poderia cair no mérito de classificar se a inovação ela é disruptiva ou não (quando causa quebra total do sistema do qual ela deriva, tornando-o obsoleto) mas quero levar para a Tecnologia da Informação e Engenharia de Software especificamente.

Vamos lá: você que trabalha na área de TI como Gerente de Projetos, Analista de Negócios, Consultor e Desenvolvedor em suas diversas vertentes DEVE entender que tudo que geramos é, de certa forma, inovação. É VERGONHOSO alguém que trabalha com essas profissões dizer que não trabalha com inovação ou que a empresa que trabalha não é de inovação. Sério. Lembra das definições do dicionário acima? Se um cliente demanda um software sob medida (é o que costuma ser o entregável de uma – arghhhhhh – fábriga de software – odeio esse termo) ele quer:

A – Jogar dinheiro no ralo ou;

B – Agregar valor introduzindo (ou reintroduzindo) uma automação ao seu processo de produção.

Pois é, apesar de sabermos que em média 68% dos projetos de software FALHAM por diversas razões,  há uma demanda gigantesca no mundo devido ao valor agregado que os softwares (especialmente a categoria sob demanda) podem trazer para um negócio. O risco compensa (e muito) a tentativa de buscar uma INOVAÇÃO por meio de softwares;  A chance de produzir um diferencial competitivo gerou no Brasil um investimento de 25.2 Bilhões de Dólares em 2014. Isso mesmo, Dólares. Achei interessante em especial os dados da Export.org, organização que ajuda as empresas dos EUA a exportar seus produtos para o mundo, sobre o mercado de software no Brasil (para ver o relatório completo, clique na imagem abaixo).

software demand

Diversos setores confiam na capacidade do profissional de TI para… Inovar! Você pode alegar que não inova devido ao fato de sua empresa/a empresa para qual você trabalha não apostar em novas tecnologias (eita, inovação dentro do setor de engenharia de software…) porém o seu código ajuda (ou deveria) algum processo, demanda ou negócio para o qual foi concebido. Existe o pensamento medonho dentro da área de tecnologia da informação de que a Inovação SEMPRE vem acompanhada da tecnologia para desenvolvimento de software mais recente, o que também não é verdade! Não é necessário usar MEAN (Mongo DB, Express, Angular.Js e Node.Js) para fazer um produto inovador: basta achar a ferramenta certa que encaixe no que o cliente esteja necessitando, com um diferencial de mercado e bingo, lá está você gerando um produto inovador. A maior vontade que nós, desenvolvedores, temos é fazer o match perfeito: aquela nova tecnologia que estamos super empolgados estudando em casa + aquele projeto o qual eu vou ser pago para colocar tudo em prática! Infelizmente nem sempre esse match acontece e ai as empresas, para não desmotivar o autoestudo e melhoria contínua, promovem competições internas, criam departamentos de inovação com base em novas tecnologias, departamento de sistemas internos (onde o cara vai gerar inovação para a própria empresa!) e por ai vai, porém veja onde quero chegar: trabalhamos gerando inovação SIM. Nem sempre com as melhores ou mais modernas ferramentas do mercado mas no final o nosso entregável TEM QUE SER alguma coisa alinhada com os negócios do cliente, gerando resultados e inovando a maneira dele de fazer negócios. Inovar não é apenas fazer o novo Uber ou o novo Facebook, você não precisa ficar triste pois você pode colaborar (e muito) para criar e melhorar diversos negócios, pesquisas e processos ao redor do mundo.

Da próxima vez, questione o diferencial competitivo que aquele software que você está ajudando a codificar traz para o cliente. Se a resposta for “nenhum”, ai temos um software que não precisa ser feito, não existe uma razão de ser, há concorrentes com soluções prontas – muitas vezes open source.

E tenha cuidado ao afirmar que não trabalha com inovação em TI.

Bonus: Assista esse vídeo de 3 minutos (em inglês) sobre inovação disruptiva e imagine quanto o seu software pode criar. Hoje.

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