Bruno Eugênio

Hoje é um dia estranho (especialmente para os pernambucanos) com a morte abrupta do presidenciável e ex governador do estado Eduardo Campos. Esta semana também fomos pegos de surpresa com a morte do ator e comediante americano Robin Williams. Definitivamente 2014 está sendo o ano das mortes… E o ano onde tantas notícias de morte, suicídios e afins são despejadas na Internet criando um imenso feed nas redes sociais e sites de notícia, que usam a morte como material gorduroso para sua necessidade de atualização a todo instante demandada pelo consumidor. Mas o motivo do post é convidar você para analisar um pouco mais o alvo deste material jornalístico: os internautas e o ódio destes refletido nos nossos negócios.

Hoje, com a democratização da Internet, é comum mais e mais pessoas se conectarem na grande rede. Só no Brasil, segundo o IBOPE, passamos dos 50 milhões de usuários, que acessam notícias e redes sociais via smartphones, tablets  – cada vez mais acessíveis – e computadores em casa ou no trabalho. Com a democratização dos custos, cruzamos a fronteira da interatividade limitada da TV e do Rádio: O internauta não se contenta em apenas ler a notícia/review/opinião em um determinado site ou rede social: Ele quer opinar e se fazer ouvir também! Hoje, portais de notícia, sites e blogs possuem áreas de comentários, opções de compartilhamento de links que tornam o internauta parte importante do negócio, seja como comprador ou seja como apoiador ou destruidor do seu serviço.

Há quem diga que é uma evolução e outros que é há algum elo perdido entre educação e pessoas com a nova geração de internautas, hoje na casa dos 15 – 20 anos, que não consegue distinguir o “momento de falar mal” do “momento de ser sensato”. Aliás, sensatez é algo mais difícil de cobrar desta geração do que o dever da escola era na minha época: Simplesmente não há mal e compartilhar fotos e vídeos difamatórios nos apps Secret e WhatsApp. A escola toda ficou sabendo? “quem manda? fez porque quis“, eles dizem. O produto não veio como o combinado? “Não quero saber, vou negativar no Reclame Aqui!!” O amigo é gay? “Vou chamar ele de veado no Facebook, não me importo se ele tem a mãe como amigo…” alguns falam. Hoje com a notícia da morte de Eduardo Campos vi comentários de todos os tipos no Facebook e no WhatsApp mas uma hora parei de ler pois a maioria do conteúdo é falta de amor ao próximo, zombaria, insensibilidade e negativismo que me fizeram pensar: São para ESTAS pessoas que precisamos projetar produtos e serviço para uma vida e sociedade melhores? Serio mesmo que ao invés do diálogo eu vou ser obrigado a ouvir uma enxurrada de conteúdo difamatório sobre o meu serviço sem ao menos saber primeiro onde posso melhorar? Sem me dar o direito de ao menos errar?

Não me conformo com isso.

Será mesmo que precisamos ser assim? A falta de diálogo e sensibilidade (empatia, palavra da moda no mundo dos negócios) estão sendo passadas de maneira viral pelas caixas de comentários do globo.com e pelos comentários do Facebook… Note que não estou dizendo que pessoas não possam ter opiniões divergentes: ELAS DEVEM – Já diziam as escolas de Design Thinking, porém, é necessário ser empático ao ponto de discordar e criar opções e não apenas vomitar o seu ódio contra o ponto de vista divergente. É fácil DEMAIS falar porém POUCOS dão a cara para bater e ousam criar produtos e serviços que mudam a vida de pessoas no mundo todo.

Divergir: Criar escolhas/opções e Convergir: Fazer escolhas

Divergir: Criar escolhas/opções e Convergir: Fazer escolhas

Os negócios hoje, com tantas pessoas aceitando o empreendedorismo como caminho viável, não podem ser apenas para “vender” e sim precisam criar vínculos com seus consumidores: grandes estórias de uso contam mais do que uma comissão para uma revista fazer uma matéria falsificada porém, se a gente não for rápido e começar a policiar esta nova geração e dizer para eles que as suas atitudes são impactantes na vida de outras pessoas também na Internet, nós vamos ser forçados a vender produtos e serviços como Henry Ford fez com o seu T-Model: Qualquer cor, desde que seja preto.

E sinceramente, isso é a pior coisa que pode acontecer: retroceder por falta de empatia.

Um abraço

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1 comment on “Sobre desastres e internautas: retrocesso dos consumidores.”

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