Bruno Eugênio
Hoje o post é novamente sobre cultura organizacional, porém é um post que surgiu de uma observação minha das minhas andanças pelo Brasil: Durante a minha volta do trabalho para casa hoje, depois de fugir de uma pedrada no metrô (Welcome, tourists! The barbárie waits for you here in Pernambuco), pensei nos relatos de amigos e colegas que adotaram o Freelancer para alcançar quatro coisas primordiais no trabalho:
1 – Fazer o que gosta; 
2 – Satisfação pessoal; 
3 – Liberdade para expor ideias; 
4 – Salários justos. 
Caraca, a lista se resume a isso? Não, tem mais coisas porém vamos focar nestas quatro. 
Pensou? Agora imagine você indo para um lugar que se vende como melhor isso, que paga salários a cima da média da região, que é isso, que adota aquilo… Ai entra o choque de realidade das maiorias das empresas de TI do Brasil: 
1 – Falta de alinhamento e construção de carreiras, treinamentos e aptidões;
2 – Exploração dos limites pessoais, desequilibrando a balança pessoal dos colaboradores;
3 – Linhas fabris de produção, mesmo em uma atividade intelectual como desenvolvimento de SW;
4 – Salários muito menores do que o esperado após aplicar os itens 1, 2 e 3.
No final, a cultura do “precisamos entregar logo” e a do “precisamos vender mais” vence quaisquer tentativas de uma empresa mediana romper paradigmas, como fazem os velhos exemplos de Google, LinkedIn e outros. Isso leva diversos funcionários a tomar um choque de realidade do tipo:
“Eu aceitei a proposta da empresa porque ela tem um nome forte no mercado, pensei que aqui todos eram feras no que faziam e, também, achei que aqui sempre aplicavam aquelas coisas que eu só via nos livros e palestras na internet, como Scrum e Agile. Estou decepcionado pois vejo que aqui a pressa é a inimiga do bom código”

Bang! Junte a isso outro fator que é pouco reconhecido em uma sociedade que sofre com a “geração diploma” aos montes: o reconhecimento intelectual. 
Hoje, com a Internet, não é necessário ir a uma faculdade para aprender a programar bem! Um bom curso, bons livros e uma conta no GitHub para poder ver e contribuir com projetos já são suficientes para um interessado ter o mesmo conhecimento (ou mais) do que um bacharel recém formado em Ciências da Computação e afins.
“Se você não tem diploma, não podemos contratar você.”
“Se você não tem diploma, não atende os requisitos para ser promovido.” 

Ai o cara chuta o pau da barraca e vira freelancer! A indústria reclama que faltam programadores porém quando você consegue contratar um bom, que vai para a sua empresa pelo “marketing” que você fez em cima das suas qualidades que, nos itens 1 a 4 da primeira lista, você peca, não prima pelo conhecimento em favor do cara que está ali para aprender? Não o remunera bem pelo fato dele não ter um diploma? Paga mal pela falta de experiência profissional de “carteira assinada” ao invés de ver a qualidade do código entregue? 
Acredite, falta uma cultura que premie o conhecimento nas empresas de SW. 
Premiar a ação, as boas ideias e acima de tudo a qualidade do que é entregue.
Entregar por entregar até semi escravos Indianos fazem.

Mas será que eles fazem bem? 
O triângulo das necessidades de um projeto: quando diminuímos os lados, que representam pontos importantes como escopo, custo e tempo, a qualidade não atinge sua totalidade, como em um triângulo equilátero. 
Quando penso em qualidade, penso como um todo: A qualidade ela precisa ser cultural e aplicável a todos os recursos da empresa para fazer sentido e ser realmente um valor agregado. Onde já se viu pessoas ganhando mal, sem direito a uma vida social digna, desmotivas e desinteressadas intelectualmente conseguirem entregar um bom produto? Esse triângulo, famoso nos cursos de gerenciamento de projetos, deveria ser melhor estudado. 
“Um dia, derrubamos o servidor pela manhã, por tédio pois não tínhamos mais o que fazer em uma sprint (?) e ficamos esperando os analistas de QA reportarem o problema com a instância. Passou-se uma manhã, fomos almoçar e nada. No meio da tarde, tranquilamente, o analista de QA perguntou: Hey, a instância está fora do ar? – Risos gerais na sala…”

Como você quer que um cara ligue para o que está fazendo se, no final das contas, ele sabe que aquele emprego ele pode levar eternamente na marcha lenta? Ele pouco se importa pelo fato de: 
1 – Aos poucos, bons profissionais estão montando startups ou virando freelancers e,
2 – O mercado, por padrão, exige experiência. Coisa que um novato afim de aprender não tem.
3 – O mesmo mercado exige formação superior. Pós. Mestrado… Você entendeu.
Como exigir qualidade, motivação e velocidade (agilidade, na língua do povo de TI) de um funcionário que está desmotivado pela falta de perspectiva da empresa? Dureza. 
Esse é o choque de realidade que temos: Pensamos que vamos ter uma carreira boa e, nos primeiros três meses, aquelas empresas legais são apenas fruto de um bom Marketing aliado a meia dúzia de bravos que ainda resistem e fazem as coisas acontecerem do jeito certo, sem levar os créditos.
E um dia eles desmotivam.
Motivação. É isso que falta nas empresas de TI do Brasil. 
E sobra nos freelancers. 
Abraço. 

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