Bruno Eugênio

Depois de uma LONGA data, estou de volta! Ainda não em sua plenitude, pois estou de férias (sim, é bom e você deve tirar também!) e afastado das atividades devido a uma cirurgia de garganta e fossas nasais. Estou bem, porém nem perto do dia a dia ainda…

… Então me resta escrever! E aproveitando o clima de guerra civil não declarada que vivemos, andei lendo e repensando mais sobre as relações interpessoais que construímos nas nossas vidas: Vamos à escola, faculdade, academia, trabalho, clube do vinho, skateparks, shows e afins; e tudo isso requer uma habilidade que desenvolvemos intrinsecamente, alguns mais do que os outros, que é a habilidade de socialização. Nós, seres humanos somos o que somos hoje devido a essa habilidade.

Ser social inclui interação: falar, ceder, argumentar, ensinar, aprender e ouvir são formas de socialização; Nosso futuro é estreitamente ligado a capacidade dos seres humanos em interagir com o mundo e os estímulos ao seu redor: sem observação e aprendizado não somos capazes de resolver problemas, de pensar em soluções, de argumentar e definir estratégias para enfrentarmos os desafios dos nossos círculos sociais: trabalho, escola, relacionamentos pessoais… Nada é resolvido sem interação.

bag-and-hands

Adam Grant é professor da prestigiada escola de negócios Wharton School of the University of Pennsylvania e é autor de um livro muito interessante chamado “Give and Take” (Dar e receber, Ed. Sextante no Brasil) onde ele, a partir de uma pesquisa realizada na Wharon School, argumenta que o nosso antigo conceito de sucesso deve ser reciclado para incluir as interações interpessoais no mapa: Além de trabalho duro, resultado e comprometimento é necessário se relacionar bem. Segundo, ele explica que durante nossas interações nós atuamos com base em três perfis de comportamento: recebedores, doadores conciliadores.

Os recebedores são aqueles que estão, o tempo todo, tentando extrair alguma coisa dos próximos e nunca querem dar nada em troca, só o fazendo quando são obrigados. Recebedores são, em suma, aqueles que tentam atrair as atenções, manipulam resultados e ficam com os créditos.

Os doadores são aqueles que vão oferecer ajudar, se dispor sem esperar nada em troca. O compartilhamento, o saber e o ato de ensinar são seus mecanismos sociais. Doadores tendem a ter problemas com isso se não aprenderem a organizar suas agendas, por exemplo.

Por fim, o perfil misto que são os conciliadores, pessoas que tentam equilibrar as ações de dar e receber com base em contratos, o típico “você me deve uma” que geralmente se espera que seja “uma” de igual valor.

955681_ba03e96a0305476a8b10ea618b1ab919Give and Take é um ótimo livro e nos ajuda a entender mais o porque de tantos recebedores fazerem sucesso, por exemplo. Durante a minha leitura identifiquei um caso que acontecia comigo que era bizarro, mas não me toquei na época: Um amigo me pedia dicas mais técnicas de gerência de configuração (como proceder, montagem de cenários automáticos…) e eu, que nunca liguei (seria eu um doador?) sempre respondia e dava dicas, nunca esperava nada em troca… Porém hoje essa pessoa, que em termos técnicos, é bem mais limitada do que eu, ocupa uma posição de destaque na companhia na qual ela trabalha, inclusive mudando de área: saindo do corpo técnico e indo para a área gerencial.

Seria eu “besta” e a pessoa “esperta”? 

De maneira nenhuma! Isso seria pensar pequeno sobre o caso, afinal de contas todos temos direito de escolher como nos relacionar com nossos pares, como construímos nossa rede de contatos e como lidamos com o tempo que decidimos doar a cada um. Porém, não espere um recebedor que o mundo continue a sua volta o tempo todo! Segundo Grant, é complexo demais manter às aparências quando se é um recebedor e sai por ai achando que tudo é “recurso”:

“Há algumas atividades furtivas dos recebedores para enganar as outras. A padrão é a que chamo de ‘bajular para cima, chutar para baixo’. Os recebedores são muito falsos quando lidam com pessoas poderosas, porque é vantajoso que as pessoas influentes achem que eles são generosos. Mas dá muito trabalho fingir preocupação pelos outros em todas as suas interações, então os recebedores tendem a baixar a guarda com seus pares e subordinados. Se você realmente quer saber o estilo de uma pessoa, não pergunte ao seu chefe. Pergunte às pessoas que trabalham com ela e para ela.” 

Onde está escrito “pessoas poderosas” não se deixe enganar pelo cargo: um desenvolvedor pode ser poderoso pelo simples fato dele ser um doador e ter algo que ele (recebedor) precisa.

No fim, acho que não fiz o julgamento da pessoa na situação relatada anteriormente simplesmente pelo fato de cada um ser responsável por suas ações e como constrói seu network, porém hoje após ler mais sobre interações e perfis vejo que não só fiz o que era certo como tenho certeza que não será nem a primeira e muito menos a última vez que um perfil desses cruza o meu caminho e que devemos estar preparados antes de simplesmente doar sem esperar nada em troca.  Aprender a gerenciar o tempo, escolher melhor com quem compartilhar conhecimento são coisas que a experiência ajuda a lapidar.

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