Bruno Eugênio
O título é uma paródia (mal feita) ao “Jogos, trapaças e dois canos fumegantes” do cineasta Guy Ritchie que vale a pena ser assistido. Eu curto muito a Fórmula 1, assisto e acompanho tudo quanto é notícia sobre a categoria e hoje uma destas que já era certo por quem acompanhava o meio: Felipe Massa não vai pilotar pela Ferrari em 2014 foi dada pelo próprio piloto hoje, via Instagram. Acho que essa estória tem alguns pontos que podem ser analisados e vou tentar descrever algumas ideias sobre motivação, times, feedbacks e o que pode acontecer quando há favorecimentos dentro de um time. 
Primeiro: Sobre motivação
A carreira de Felipe sempre foi uma montanha russa: O cara ganhou títulos na Europa, foi contatado pela Sauber, demitido da mesma, contratado como piloto de testes da Ferrari, recolocado na Sauber pela Ferrari (sim, com a Vermelha pagando o salário)… Mas quando Massa foi escolhido por Maranello para substituir o Rubens, o Massa estava em uma ótima fase e era “de casa”. Ou seja, motivar é dar uma chance para uma grande responsabilidade, motivar é preparar. Nos anos seguintes, Massa foi vice campeão duas vezes correndo ao lado do Michael Schumacher, O piloto depois da “Era de ouro da F1” e do Kimi Raikkonen. O cara tinha a cabeça no lugar, uma equipe centrada e apoio de igual para igual dentro do time. As coisas andam quando são justas, e entre Massa + Schumi ou Massa + Kimi, a balança era equilibrada em prol da harmonia. Mesmo que com Schumacher Felipe fosse o segundo piloto. 
Interlagos 2008 – O ano de ouro do Felipe: Perdeu o título na última curva. 

Treine pessoas, abra oportunidades e seja justa com elas. Isso incentiva o crescimento pessoal e profissional.

Segundo: Sobre feedbacks
Durante as bonanças, todo o tipo de feedback sempre parece ser um “rasgamento de seda” multi lateral: “Você é O cara, não nos vemos sem você” porém, esse tipo de feedback nem sempre é útil e incentivador. Seja sincero ao expor pontos fortes e fracos de quem você está falando, com sutileza mas sem se omitir. A Ferrari, tão criticada por quem não entende de Formula 1 pelo “jogo de equipe”, fez um papel excepcional com Massa desde a volta do fatídico incidente na Hungria em 2009 (uma mola, saída do carro do Rubens Barrichello, ultrapassou o capacete e acertou em cheio o rosto do Felipe, o deixando de fora da temporada de 2009 ), dizendo ao Felipe que as coisas não andavam boas (com o rendimento dele) mas que ele teria o total apoio da equipe para fazer seu trabalho. Houve melhora? Sim, houve. Mas não foi substancial para manter o Massa no time. Isso são negócios e se você não cresce (ou para de crescer, como no caso) é mais do que justo a empresa deixar seu funcionário livre para procurar uma melhoria, ou partir para investir em outro funcionário. 
2009 – Eis que uma mola quase mata o rapaz! Confiança no talento “de casa” o manteve em 2010.
Dê feedbacks sinceros e funcionais sobre quem você trabalha, estuda ou convive. Sem estes não se pode pensar em melhorias.
Terceiro: Sobre favorecimentos.
Aqui, é muito complicado de falar mas posso dizer que o “Felipe, Alonso is faster than you. Did you understand this message?” na Alemanha em 2010 (o ano de volta, formando dupla com o Fernando Alonso) foi pior do que a mola na mente de Massa e causou a queda do rendimento e total perda de confiança do piloto com a alta direção do time: Se você tem acordos que garantem que, sem uma distância X de pontos, o tratamento é igual para os dois, porque raios surge uma ordem destas partindo do Race Principal (o cara que manda no time durante as corridas, neste caso, o Estafano Domenicalli)? Acredite: Panelinhas, acordos às sombras e favorecimentos explícitos para quem exerce as mesmas funções podem destruir a moral de um funcionário, acabar com um time e, a passos lentos, afundar uma empresa. Enquanto os feedbacks são uma coisa boa da Ferrari (isso só acontece devido a pressão da torcida no time), os acordos da alta direção para favorecimento às escuras só desestimulam quem veio de baixo para lutar por uma posição acima. 
Hockenheim 2010 – O Final da saúde mental de Felipe Massa: Só resultados ruins depois
do favorecimento ao Fernando Alonso. 
Não favoreça alguém em um time: As chances de você destruir quem chegou onde chegou por mérito são altas e o time nunca mais voltará a ser o mesmo depois da descoberta. 
Eu acredito que realmente justiça, feedbacks e a meritocracia fazem a diferença em um ambiente saudável e produtivo. Não devia ser nada legal sair de um dos carros mais conhecidos do planeta e ir dormir com a cabeça cheia dos sons do rádio dizendo “He’s a stupid, I can’t get closer enough of him…” solto pelo Alonso no último GP em Monza, durante o treino de classificação. Mesmo com contratos milionários, pilotos também são empregados, batem metas e, no caso do Felipe Massa, são demitidos e precisam cumprir aviso prévio!! Ou seja: Da Malásia ao Brasil, Felipe corre na Ferrari cumprindo tabela e procurando uma nova garagem… Onde o favorecimento, feedbacks e chances de subir sejam maiores. 
No final das contas, é um emprego como outro qualquer e uma empresa cheia de defeitos como outra qualquer. 
Abraço, e boa sorte para o Felipe Massa que precisa saber: Há vida fora da Fórmula 1 (DTM e WEC especialmente!!).

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