Bruno Eugênio

Última sexta feira do ano, e eu, de “folga” (afinal, como não existe almoço grátis inventaram o tal do Banco de Horas e depois terei de pagar esse montante de 8 horas…) resolvo escrever o último post de 2014. Deveria, inclusive, ter sido escrito na Terça feira mas doente só quer saber de cama. Recuperado, quero convidar vocês a refletir sobre prêmios.

Até que ponto os filmes premiados pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas são REALMENTE bons? E os ganhadores do Grammy?

Alguns realmente são bons (o mais recente, Doze Anos de Escravidão, é um bom exemplo) enquanto a grande maioria é, para o público geral, são filmes medianos ou ruins. Ou você acha filmes como “Argo” (vencedor do óscar de melhor filme em 2012) ou “Guerra ao Terror” (ganhador em 2009) filmes AAA? Não são. E o que falar de casos de musicais do começo dos anos 2000 como “Chicago” ser declarado vencedor em 2002 com “Moulin Rouge” sendo dizimado por “Uma mente Brilhante” um ano antes? Teria “Chicago” ganhado o prêmio como consolo do tipo “Oi, o ano passado tinamos um filme melhor, mas tivemos que dar o prêmio para outro então esse ano vamos dar o Óscar para um filme mediano”.

Jared Leto tem um Oscar. Como assim? Risos!

Falta lógica? Não falta. Não existe lógica e sim avaliação na adaptação do profissional ao desejo de quem concede o prêmio. Ser premiado como profissional do ano, filme do ano, músico do ano, artista do ano e o que quer que seja é a contestação de que seu trabalho é, em resumo, o trabalho padrão na visão dos premiadores. Se ser padrão é bom? Isso depende muito de como você deseja que os outros lhe enxerguem: Mais um com um prêmio ou a pessoa que tenta sempre criar, expandir e romper barreiras dentro do seu campo profissional?

Existem prêmios de respeito como o Nobel, que premia pesquisas em diversas áreas do conhecimento (A saber, não existe um Nobel de Economia) e diversos outros que não tem uma divulgação adequada. Por quê? Descobrir coisas novas não é interessante para o ponto de vista da propaganda em termos gerais. Em empresas especialmente: Gera uma atenção grande nos “colaboradores” que ficam expostos a novas propostas de emprego e por ai vai… O ramo das pesquisas científicas tem pouca divulgação por ser um belo de um garimpo de onde governos e empresas privadas apenas extraírem o suprassumo da atividade de pessoas que pouco se importam com o prêmio e sim com o resultado de suas ações.

Ou você acha que todos os ganhadores do Nobel da Paz tem em mente o prêmio quando estão lá, lutando pelos seus direitos? Acho que não.

Então vamos categorizar os prêmios em dois tipos:

Os ruins, que te premiam por ter mantido o padrão vigente no momento no lugar ou agradado quem rege o mercado (Prêmios de melhor funcionário, melhor avaliação geral empresarial, melhores empresas, melhor música, melhor filme…).

Os bons, que te premiam por não ter se preocupado com prêmios durante suas ações diárias (Geralmente, prêmios como Nobel, prêmios acadêmicos, medalhas de honra ao mérito dadas em circunstâncias extremas como o 11/09/2001).

Um dos meus escritores favoritos, Paul Arden, trata os prêmios como “sinônimos de mediocridade”. Já que na área que ele atuava (Marketing) existe uma centena de premiações que, segundo ele, eram apenas para fazer social. Segue um trecho do livro “Não basta ser bom, é preciso querer ser bom” que fala sobre essas conquistas:

“Quase todo mundo gosta de ganhar prêmios. Prêmios criam glamour e glamour gera renda. Mas, é melhor evitar. Prêmios são julgados por um comitê que decide o que é o consenso do que é permitido. Em outras palavras, o que está na moda. Porém, originalidade não pode estar na moda devido ao fato do comitê não ter aprovado ainda. Em outras palavras, não tente estar na moda. Seja sincero na sua ideia e você vai estar mais perto de criar algo que seja atemporal. É onde a verdadeira arte vive”

Paul Arden

Não se limite pelos prêmios e sim pela sua capacidade de ir além do que lhe é imposto. Todos os anos vemos bons exemplos de diretores de cinema, músicos, artistas plásticos, atores, esportistas que não se importam com medalhas: O que importa é elevar o limite da sua obra para onde ninguém chegou antes. Quer prêmio melhor do que esse?

Que em 2015 seja um ano de menos premiações bobas e mais lugares inexplorados!

Um abraço.

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