Bruno Eugênio

Tenho uma regra básica para escrever posts neste espaço: eles tem que ser úteis pelo menos para uma pessoa que não seja eu mesmo. Esse é um daqueles posts que “furam” a fila de textos nunca terminados devido ao fato do momento ser bom e achar que possso ajudar algumas pessoas a ultrapassar alguns problemas e refazer alguns conceitos. Espero que gostem.

Bem, antes de mais nada devo dizer que minha carreira profissional é átipica: Já trabalhei com construção civil e somente depois de alguns anos e um título de técnico já gasto, resolvi fazer um curso superior em Informática. Depois de alguns outros anos trabalhando com desenvolvimento de software, fiz uma pós graduação com foco em gestão em TI. E graças a isso, tenho como falar de realidades BEM diferentes porém com os mesmos vícios. Aliás, diria que são quase áreas irmãs apesar da informática tentar se distânciar a todo custo do modelo gerencial praticado pelas empreiteiras.

photo-1440186347098-386b7459ad6b

Também devo dizer que todas essas experiências acadêmicas e profissionais me moldaram até pouco tempo atrás: Siga um caminho, faça isso e depois aquilo que você pode chegar ao cargo X. E gostaria de deixar a primeira provocação aqui: A academia pouco importa e sim o que você é socialmente falando o que vai pavimentar seu caminho. A começar da própria vaga em si: Muitas vagas não são anunciadas simplesmente pelo fato de serem preenchidas pelas indicações de funcionários. E depois, as vagas continuam sendo distribuídas de acordo com essa camaradagem. Alguns até tem chance mas o que impera mesmo é a empatia do promotor – candidato.

Ao notar isso, deixei a negatividade tomar conta e passei a “dar de ombros” para situações desse tipo. Porém, ao olhar a fotografia do cenário, vi não adiantaria absolutamente nada ficar vendo a vida passar, estudar e “esperar” a minha vez. Parei de discutir se A ou B atende os requisitos técnicos, se fala inglês ou se sabe programar em X linguagens. O mais engraçado é que você passa a notar situações onde menos espera: Depois de um tempo fora, voltei para o curso de inglês aqui no Recife. Novato, conheci uma turma super gente boa e um dia quando eu faltei, os meus novos amigos comentaram com a professora sobre meu gesto característico até então: Balançar a cabeça negando o que era dito! No outro dia, recebi na brincadeira esse feedback. Acendeu a luz de alerta! Hoje, depois de me esforçar bastante, absorvo, processo e tento não balançar a cabeça ao que me é dito. Levar a vida com menos negatividade tem me ajudado captar mais ideias e gerar mais empatia com as pessoas.

Deixar a negatividade de lado não tem nada a ver com se deixar levar pelas ideias dos outros e sim de começar a dizer “OK, você tem seu ponto de vista, e eu o respeito” mas sempre olhando para suas ideias e encontrando novos meios de faze-las acontecerem mesmo com tantos pontos de vista e opniões contrárias.

Existem situações que não podemos controlar, mas há várias que podemos escolher se vamos fazer parte delas ou não. E aprendi isso pagando o preço, tendo que me provar todos os dias que eu, escolhendo meu próprio caminho, poderia aprender e continuar sendo útil. Dar um passo para trás é dolorido, mas é nessa hora que a gente aprende mais sobre humildade (de reconhecer que você precisa de alguma coisa que não tem naquele momento – uma nova skill, um apoio de um mentor, dinheiro…) e passa a descartar a arrogância (de achar que, pelo status quo, você não deveria se “rebaixar”). Muitas vezes acho legal quando dizem “Se Bruno não conhecer do que a gente está falando, eu desisto”. Dou risada quando escuto isso, porém cada vez menos tenho interesse em saber sobre tudo, pois isso ajuda a processar o que é importante do que é vazio. O vazio é a ausência de matéria, e quem gosta de guardar nada? Só quem faz voto de pobreza – e mesmo assim só abdica de uma parte da suas posses, a material; Infelizmente também temos pessoas que são vazias por opção – de experiêncas, de crenças, de vida! Pessoas vazias se repetem o tempo todo e acham isso bom. Evite repetição, mesmo que para isso você precise dar um passo para trás.

O futuro não é moldado por um método recursivo (que chama a si mesmo N vezes no jargão da programação de computadores) e sim por pessoas inquietas que buscam, independentemente da direção para qual andam, respostas para os seus questionamentos! Infelizmente, ainda somos obrigados a (quando se tem – vale ressaltar) seguir um plano de cargos e carreias. Oras, e as pessoas são iguais? E os rebeldes? E os desajustados? Os inconformados?

Em uma época onde todos são artificialmente felizes e bem sucedidos, qual é o louco que vai ousar revelar que um dos seus planos não deu certo? Aquele emprego novo não rolou, o seu projeto pessoal ficou engavetado… Perdemos tempo demais com o panótico social que vivemos e simplesmente esquecemos que falhas e passos para trás são normais, não matam e ajudam a evoluir. Também esquecemos que todo conhecimento parte da vontade de saber. No fim, percebi que quem usa sua força para ficar parado sentado em cima do orgulho e do status é o que mais resmunga sobre a vida – afinal, ele usa sua energia para cultivar o vazio da mente.

“Do mesmo modo que o metal enferruja com a ociosidade e a água parada perde sua pureza, assim a inércia esgota a energia da mente.”

– Leonardo Da Vinci

Na segunda parte deste post falarei sobre conhecimento. Além das inspirações literárias dessa série. Tem algo a acrescentar? Comente!

comentários

comments

1 comment on “Reinvenção parte 1 – da negatividade aos passos para trás”

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *