Bruno Eugênio

Na primeira parte deste post falei um pouco sobre humildade e como isso nos afeta em estágios avançados da nossa carreira. Para finalizar, vou deixar uma série de provocações e referências literárias sobre conhecimento e motivação que podem levar você ou seu time a enxergar a figura completa e entender um pouco mais sobre temas tão falados ultimamente mas pouco explorados na prática.

Se existe uma coisa que nos deixa confiantes é a sensação de controle sobre o conhecimento, na qual traduzimos com uma palavra mais simples: experiência. Experiência é a medida que usam para te dar um emprego, para lhe subir de patente… Mas será que todos que são experientes entregam os resultados esperados? É, acho que o sistema baseado em níveis de experiência não é rápido o bastante para acompanhar as mudanças em educação e sociedade dos tempos atuais: Cada vez mais, podemos aprender com os melhores sem sair de casa, com investimento baixo e cada vez mais cedo. É notório a resistência das pessoas “experientes” em dizer que os mais novos devem “tirar certificações x ou y, fazer um curso de inglês ou alemão, ter pós graduação ou mestrado” para poder preencher os requisitos da vaga mas eles mesmos em sua maioria não cumprem 60% do que exigem. A minha provocação fica em: Você é experiente pelo valor que você entrega ou simplesmente por atender aos pré requisitos? Se sua resposta for a segunda, acho melhor você pensar sobre o que vem fazendo nos últimos dois anos…

Com a experiência, é comum que as pessoas reclamem da falta de motivação. Outras são tolas o suficiente para sequer reclamar. E existem aqueles que se reinventam e buscam a motivação nas novas sensações, em projetos desafiadores… Não ficam paradas olhando a esteira da vida se mover. Projetos pessoais podem trazer mais conhecimento do que o seu emprego regular. Engolir a soberba e fazer um projeto em um papel diferente do seu é uma ótima chance de conhecer mais sobre aquilo que você critica. Voltar às origens e descer do pedestal também pode ajudar a recuperar bons momentos. A experiência deve lhe ajudar a fazer decisões e não servir de medalha (aliás, premiações também…) . A motivação deve ser o combustível da experiência e não o inverso, não deixando a experiência lhe cegar para novas sensações ou sem medo de mergulhar no desconhecido.

A Eau Rouge

Toyota Hybrid Racing. World Endurance Championship 2nd-4th May 2013. Spa Francorchamps, Belgium.

Toyota Hybrid Racing. World Endurance Championship 2nd-4th May 2013. Spa Francorchamps, Belgium.

Para exemplificar tudo isso, vamos ao caso da Eau Rouge, a curva favorita de 11 entre 10 pilotos de corrida do mundo que fica no circuito de Spa-Francorchamps, na Bélgica. A curva é, para motoristas normais como nós, assustadora: antecedida de uma descida e uma reta, dobra-se a direita em uma curva cega a mais de 250 Km/h em média sem enxergar absolutamente nada da segunda perna da curva, que é uma curva acentuada para esquerda, formando um “S”. Hoje os carros de Fórmula 1 e protótipos já a fazem “Flat out”, ou seja, sem tirar o pé do acelerador; Ai que entra a sacada: Desde os mais experientes aos mais novos, todos se concentram ao máximo para fazer essa curva. Por quê? Em situações de alta performance, experiência não significa muita coisa – a concentração e a determinação, sim. E a motivação? Mesmo sendo algo “repetitivo”, nenhum dos pilotos perde a chance de correr em Spa-Francorchamps… Devido ao desafio apresentado.

Quer saber realmente se você tem conhecimento E experiência? Meça a quantidade de desafios que você enfrenta ultimamente.

“O maior inimigo do conhecimento não é ignorância, mas a ilusão do conhecimento.”

Stephen Hawking

Por fim, queria recomendar dois livros que me fizeram refletir bastante nesse últmo ano sobre carreira, pessoas e metas:

51Buhjkmk5L._O Poder dos Inquietos – Chris Guillebeau – Ed Saraiva, 208 páginas, R$ 19,90.

Esse livro é um verdadeiro achado! Já falei dele antes aqui mas talvez não tenha dado a devida atenção a ele… Sabe quando você se sente sufocado por metas, conselhos e coisas do tipo “Será que isso que você está sugerindo é útil para nós”, a angustia que dá de conviver com pessoas que simplesmente fazem de TUDO para deixar as coisas como estão? Chris conta como conseguiu driblar essas coisas e passa sua experiência, com paixão e vontade, aos que querem deixar sua mensagem, ousarem e irem além, vivendo cada dia como uma pequena parte de uma grande jornada e não uma vida sem metas. Sério, é um livro de coração para pessoas que tem a cabeça aberta. Se você gosta do que eu escrevo, com certeza vai curtir o que o Chris tem a dizer. Aliás, esse Blog nesse formato é uma ideia que ganhou vida através as ideias desse livro 🙂

Você pode comprar o livro clicando na capa ao lado! E também conhecer mais sobre o Chris visitando o site dele.

livro_S1D7kGPense como um Freak – Steven Levitt e Stephen Dubner – Ed Record, 250 páginas, R$ 25,97.

Ok, esse é clichê mas merece uma lida com calma. Se você não conhece os autores (famosos pela série Freakonomics), pode se assustar com a quantidade de conexões malucas que esse dueto Jornalista + economista conseguem encaixar nos seus textos! Além do livro ser de fácil leitura, fala bastante sobre conhecimento (em especial a falta de…), resolução de problemas, desistência, feedbacks e outros assuntos que são tão cobrados no mundo corporativo. Com o clima pessimista vivido pela sociedade Brasileira hoje, esse livro deveria ser matéria de escola no ensino médio. Como me ajudou? Tinha uma dificuldade ENORME em absorver falhas (em especial, profissionais) e com certeza os pequenos truques do dia a dia me ajudaram a buscar aprendizado com esses deslizes de maneira mais efetiva.

Aliás, além de comprar o livro (link na capa) recomendo você ouvir o podcast dos autores!

É isso! Tem algo a comentar? Vamos conversar!

comentários

comments

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *