Bruno Eugênio

Talvez você, como a maioria dos Brasileiros, não acompanhe mais o campeonato da Fórmula 1. Motivos não faltam: Falta de brasileiros ganhando ou pelo esporte ter nuances demais… Atualmente o certame apresenta quedas de audiência ano após ano no Brasil. Neste último domingo, 15/05/2016, quem assistiu viu o mais jovem piloto a ganhar uma corrida na Fórmula 1: o Holandês Max Verstappen venceu o GP da Espanha de Fórmula 1 com dezoito anos e alguns dias de vida. Para entender como um piloto tão jovem conseguiu tal feito só analisando de perto a estrutura dos times da RedBull na Fórmula 1 e as lições que ficam da estória.

 

Programa de desenvolvimento de pilotos
A RedBull tem um extenso programa de desenvolvimento de talentos que garimpa jovens no mundo todo para patrocinar e observar. Com uma meta clara de garantir pilotos bons para seu time principal (RedBull Racing), os jovens são divididos em categorias de acesso como a Kart, Fórmula 3, World Series By Renault, GP2 e GP3. Os novos talentos são agraciados com um lugar no time de desenvolvimento da RedBull na fórmula 1, a Scuderia Toro Rosso e dependendo do desempenho, no time principal. Desde a saída do piloto Australiano Mark Webber em 2013 do time principal dos touros, TODOS os pilotos dos dois times são “pratas da casa”: Sebastian Vettel, Daniel Ricciardo, Daniil Kvyat, Carlos Sains Jr e o Max Vestappen. Todos novos porém talentosos e preparados.

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Vestappen comemorando com o seu time de mecânicos – Reprodução RedBull Racing – Facebook

Treinamento para protagonismo

Max saiu do programa de desenvolvimento assim como Sebastian Vettel e Daniel Ricciardo. Em comum entre eles é que todos ganharam corridas BEM novos (Vettel inclusive ganhou sua primeira corrida quando era “estagiário” na Toro Rosso, diga-se de passagem) e isso é resultado do modelo do programa, com todos pilotos sendo treinados desde cedo em um ambiente extremamente competitivo onde os resultados nas pistas falam mais que idade ou experiência: Daniil Kvyat foi “rebaixado” em uma ação nem um pouco conservadora de Helmut Marko, o CEO da RedBull Racing e braço direito do dono da empresa de bebidas, para a Toro Rosso após uma sucessão de erros infantis e não foi perdoado mesmo tendo conquistado um pódio este ano. Não foram erros pequenos, daqueles que podemos dizer “ok, pelo menos estamos aprendendo, vamos em frente” e sim erros grotescos e Marko poderia chamar alguns dos seus pilotos mais experientes como Sebastien Buemi (Fórmula-E e WEC), Jean-Éric Vergne (Fórmula-E e atual piloto reserva da Ferrari) ou até mesmo António Félix da Costa (DTM e Formula-E) que passaram pelo programa de pilotos e que ainda têm vínculos com a empresa de energéticos mas o chefe preferiu subir alguém “da base” com bastante talento. A ação foi bastante criticada por pilotos mais experientes como Jenson Button (titular da McLaren Honda) e chefes de equipes como o diretor esportivo da Ferrari.

 

Protegendo os talentos
A medida de promover o jovem para um time maior ainda tem um motivo estratégico: equipes tradicionais como Ferrari já especulavam dar uma chance ao jovem Verstappen o mais breve possível, sem deixar o garoto passar pelo time principal dos touros vermelhos. Para não perder o talentoso jovem, uma promoção e um desafio sem igual lhe foram apresentados… Qual o garoto de 18 anos não ficaria lisonjeado com tal reconhecimento? Qual empregado não ficaria lisonjeado com um reconhecimento realmente grande do seu trabalho? Hoje empresas perdem seus melhores talentos por assumir que carreiras são apenas lineares e que pessoas com pouco tempo de estrada não estão aptas a assumir o protagonismo.

 

Basicamente, o modelo de gestão da RedBull com seus times e pilotos é baseado em três pilares:

  • Competição – Todo ano novos talentos são garimpados e você precisa estar sempre afiado para se manter como membro do programa de desenvolvimento. Seus resultados é quem vão determinar seus próximos passos e não há atalhos para conseguir chegar em categorias mais altas.
  • Retenção de Talentos – Mesmo as vagas na Fórmula 1 sendo limitadas, os pilotos do programa de desenvolvimento não ficam desamparados após partirem para outras categorias e continuam tendo patrocínio e participando de eventos como pilotos de testes, realizando showcases e eventos em nome da RedBull.
  • Gestão não tradicional – As decisões não são tomadas com base em conceitos antigos ou dogmas do meio que estão: em uma equipe como a Williams ou McLaren Max jamais teria chance alguma de assumir o posto de piloto em circunstâncias parecidas. Para o bem ou para o mal, seguir as regras que trazem resultados já conhecidos não é uma norma para os touros vermelhos.

Parabéns ao Max Verstappen, garoto bom de braço que em menos de cinco anos saiu do Kart e hoje é um campeão de grande prêmio da categoria máxima do esporte a motor do mundo.

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Se esta corrida fosse nos EUA, Max não poderia beber champanhe! Reprodução RedBull Racing – Facebook

E aí, você acha que nossas empresas perdem diversos Verstappens por apatia do modelo tradicional de gestão?

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