Bruno Eugênio

1-1232109440vZAR

O tema de hoje é BASTANTE delicado. O título é apelativo, eu sei, porém queria chamar a atenção para um comportamento que quase todos somos moldados a ter desde os tempos do ensino fundamental: Ter vergonha de não saber de alguma coisa.

Nosso sistema educacional preza pelo aprendizado em níveis, aumentando a complexidade dos assuntos a medida que o aluno supostamente “avança” e, com as novas habilidades, consegue formar conceitos e tem subsídios para estudar e expandir o assunto que é passado na sala de aula. Na teoria, pois na prática é a regra do “decore isso, sou o professor e você TEM que saber isso”. A formação brasileira, do pré escolar ao terceiro ano do ensino médio, leva em torno de 16 anos. É muito tempo pensando e decorando coisas que, em sua grande maioria, não serão utilizadas depois da prova do ENEM/vestibular. O garoto fica bitolado. E desenvolve a “síndrome”.

A “síndrome” dá sinais quando os jovens entram no mercado de trabalho: Os mais velhos, que deveriam ajudar a formação profissional do novo membro time, enxergam os novatos como concorrentes e não parceiros e os mais novos, por vontade própria ou não, embarcam na competição que lembra os tempos do ensino médio: (sic) “eu tirei uma nota melhor do que você, seu otário”. O choque vem quando os neófitos são exigidos e, na falta de conhecimento, dizem “veja, eu não tenho a resposta agora mas posso verificar…”.

E a partir deste momento uma pessoa inteligente pode afundar em uma preocupação sem fim sobre querer saber tudo. Esse é o sintoma grave da “síndrome”.

Paul Arden, diretor criativo e autor do livro “It’s not how good you are, it’s how good you want to be”. Já alertava que “está errado estar certo” no sentido de estar sempre certo torna você uma pessoa chata, preguiçosa, que tenta solucionar problemas com as mesmas técnicas sempre, presa na sua experiência… Sendo menos criativo e mais crítico a novos conceitos. E que não há problemas em estar errado (ou não saber) pois estar errado, permite, entre outras coisas, analisar o problema de diversos pontos de vista (da experiência do cara que diz que está certo ao recém chegado que pode ter uma visão de fora ainda não percebida da situação), e alivia o fardo de que você não é infalível: todos nós somos, antes de tudo, humanos. Claro, estar errado (e assumir isso) tem riscos, porém ninguém vive em águas calmas toda a vida, certo?

Imagine você alguns anos atrás na escola, quando você falhou miseravelmente em alguma prova ou deu uma resposta boba em frente a sala. Certamente lembramos de alguma situação onde a cor vermelha da caneta ou as risadas estavam lá para nos punir de alguma forma pelo simples fato de não saber.

Por que perpetuamos isso?

Não sei, mas tento mudar de alguma forma esse conceito ouvindo o que meus amigos, membros de time e clientes tem a me dizer. Demorei MUITO (e as vezes ainda escorrego) para entender que eu não sou a solução definitiva. Não devemos contratar pensando em soluções definitivas: O contratado é quem MENOS sabe do seu negócio. Se a relação for do mesmo jeito que temos entre sistema colegial x alunos, estamos fadados a copiar e confiar em soluções baseadas na experiência e não na criação e colaboração.

Ficamos com o recado: não tem problema nenhum em não saber de alguma coisa. Problema é ignorar as possibilidades que isso lhe proporciona.

E se quiser, o livro do Paul Arden para Kindle você acha aqui.

comentários

comments

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *