Bruno Eugênio
Pergunta difícil, certo? Segundo o nosso Michaelis a definição de conformismo é a seguinte:
conformismo con.for.mis.mo sm (conform(ar-se)+ismo) Conformação com os costumes ou opiniões de outrem ou com qualquer situação
Costumes ou opiniões de outrem com qualquer situação. Existem ditados como os famosos “em time que está ganhando não se mexe” ou “mais vale um pássaro na mão do que dois voando” que mostram o quanto o conformismo (velado ou não) está impregnado nos nossos hábitos e na nossa formação. É natural defender sua posição, delegar nossas escolhas ao “karma” ou a uma força maior porém muito do que se passa na sua vida é culpa da nossa educação e sociedade que sempre nos ensinam que devemos pertencer a um lado, gostar de um tipo de pessoa, não correr riscos, ter um emprego de 8 horas, tirar férias uma vez por ano, não questionar autoridades (no trabalho, na vida) e por ai vai… Porém o que acontece quando você resolve ir contra algum desses comportamentos e deixar de se conformar com o que parece certo?
Primeiro, você vai receber um MONTE de críticas! Posso falar, por experiência própria, que escolher o lado de fora do fator comum é difícil pois sempre vão esperar que você assuma o comportamento padrão: Siga a maioria, não assuma riscos… É realmente enfadonho ter que explicar todos os dias decisões contrárias (e uma hora você cansa, inclusive) e dizer “eu não preciso seguir este comportamento, pois acho que tal coisa deve ser vista por um outro ponto de vista”. Acostumar-se com a crítica e desconfiança é o primeiro passo para deixar de seguir os outros.
Depois das críticas, mais pessoas vão querer fazer você voltar por fim da força para o “caminho padrão” pois é lá que estas pessoas, os “guardiões”, mantém você sobre o controle. Guardiões são engraçados pois eles sempre tendem a querer normatizar tudo, criar processos e se certificar que todos estão dentro dos seus domínios. E é sempre a mesma estória: Uma vez dentro do sistema, o guardião sabe que coisas diferentes podem trazer grandes resultados, e que essas coisas nem sempre são aderentes aos seus domínios (muitas vezes os ameaçando, inclusive) e eles contam com um arsenal de poder (de influência, inclusive) para tornar as coisas sempre “no padrão”. Resumindo: você sempre vai cruzar com uma pessoa chata, amargurada que defende por fim da força uma norma ou rotina que tornam o “não” uma ordem.
“Another brick in the wall”
Os passos são longos mas vale a pena tentar. A minha experiência em não me conformar com as situações que eu acho nocivas para mim me rende um sem número de questionamentos, olhares desconfiados e críticas. Sei que muitos me acham arrogante ou chato porém no fundo falta aquela coragem de sair da zona de conforto e fazer os questionamentos que eu faço. Também já cometi erros (e ainda os cometo, é claro!) da forma que eu usava para questionar mas hoje ao ser exposto a situações ruins reflito e uso três perguntas para me guiar na minha concepção:
Vai ser útil para mais alguém fazer isso?
Vou precisar disto depois?
Vai ser prejudicial para mim?
Se eu responder “não” para qualquer um destes itens, já me torno cético com relação a atividade. E vou questionar o método, a execução, o porque e por ai vai… Estas são as perguntas que desenvolvi para meu dia a dia com base no que eu acredito como “bom trabalho” que é: Fazer algo útil para maior número de pessoas possíveis, adquirir um conhecimento que posso incorporar a minha rotina e se esta atividade impacta no meu estilo de vida e nas minhas escolhas pessoais. Esses itens sempre são alvo de críticas, por quê? Os guardiões acham que você deve trabalhar para ficar rico, se submeter aos desejos da sua empresa nem que para isso você abdique da sua vida pessoal. Gostaria de ter dinheiro? Sim, mas não quero ficar rico passando por cima dos outros e fazendo trabalho que não vai servir para ninguém. Isso incomoda. Não quero fazer trabalho que seja considerado “copy and paste”. Isso incomoda demais quem é medíocre. E é claro, não quero abrir mão da minha vida em prol do trabalho. Isso é burrice.
Não se conformar é criar suas próprias perguntas de avaliações de situações. Não se conformar é achar o que te faz bem no trabalho e na vida e seguir fazendo isso de diversas formas possíveis. Não se conformar não é sobre não ligar para o que os outros dizem ou acham de você e sim levar em conta os comentários e críticas de quem realmente se importa com você.
Aprender a dizer não para o que te faz mal é o primeiro passo para deixar de se conformar. Parar de se importar com o que acham de você vai te fazer um bem enorme.
Então porquê você se conforma fácil?
“O conformismo é carcereiro da liberdade e o inimigo do crescimento”
John F. Kennedy

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